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Programação

O que ninguém te conta sobre ser desenvolvedor de automações

por Pedro · 19 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Atualizado em 19 de outubro de 2026

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Fala, meu Garoto de Programa! Tudo ótimo com você?

A automação de processos é algo vital para diversas áreas. Por isso temos tantas empresas buscando desenvolvedores de automações.

Hoje vou trazer algumas coisas que aprendi sendo desenvolvedor de automações. Mas não só pela minha ótica de desenvolvedor: como comecei a carreira como Analista de Processos de Automação, consigo dar uma visão mais ampla da esteira que é desenhar um processo e desenvolvê-lo. Inclusive, já aconteceu de eu ter de fazer as duas pontas (quem já trabalhou em empresas menores ou familiares vai me entender).

  1. A primeira coisa que um desenvolvedor deve saber é que ele não sabe tudo e nunca aprenderá tudo. Por mais que você estude, o mundo está em uma curva de evolução insana e as tecnologias mudam o tempo todo. Cada processo tem um conjunto de soluções possíveis para ser automatizado, então você precisará entender bem o fluxo antes de definir a stack que vai utilizar. Não se preocupe em correr atrás de ferramentas novas a cada minuto: tenha uma base sólida dos conceitos fundamentais e aprenda a entender o problema de negócio. Ao longo da sua carreira, você inevitavelmente passará por situações em que terá de pesquisar uma solução totalmente inédita para você.

  2. Muitos desenvolvedores acham que a única habilidade necessária é saber digitar código, mas isso é o básico e, com a IA, deixou de ser um diferencial. Você precisa saber ler um fluxo de negócios, interpretar um BPMN e alinhar a documentação com o Analista de Processos ou de Negócios antes de bater o martelo na stack. O processo precisará rodar em uma rede específica? Quais aplicações estão envolvidas? Existe API ou a aplicação é web/desktop legada? Como será a entrada dos dados para execução? Entender essas restrições poupa semanas de retrabalho.

  3. Você precisa saber lidar com mudanças e se comunicar bem. O estereótipo do dev que fica isolado em um canto sem falar com ninguém é balela. Quem já atuou na ponta de implantação sabe que dificilmente receberá uma documentação perfeita. Você terá de desenvolver o olhar crítico para identificar inconsistências que quebram regras de negócio. Uma ponta solta fará ações erradas em produção e cairá de volta na sua mão como sustentação. A esteira de automação não é uma linha de montagem industrial em linha reta; ela é circular: o processo que você montou passará pela sua mesa de tempos em tempos para ajustes.

  4. Não se apegue à sua solução. É muito comum o desenvolvedor se apaixonar pela própria criação, mas evite isso por dois motivos práticos:

    1. Nem sempre a solução mais engenhosa é a que resolve o problema. Cuidado para não "construir uma bazuca para matar uma formiga".

    2. Feito é melhor que perfeito. Muitos profissionais travam entregas buscando o código impecável: sempre haverá uma consulta a otimizar ou um clique a enxugar. Entregue o básico com qualidade, teste e coloque para rodar. Trate as melhorias como um backlog contínuo, priorizado conforme o feedback real de quem opera a ferramenta.

  5. Priorize fundamentos, não ferramentas. Ferramentas passam; a base fica. Se você domina lógica, redes, integração e modelagem, migrar para outra linguagem ou ecossistema vira apenas uma adaptação de sintaxe. Quando uma empresa decide trocar sua stack para reduzir custos de licença, ela não demite o time inteiro: ela realoca quem tem capacidade analítica e base sólida para aprender a nova plataforma.

  6. Na prática, vagas de estágio e de júnior costumam exigir as mesmas entregas. Salvo raras exceções estruturadas, a rotina de trabalho é idêntica. Sempre que possível, mire diretamente vagas de Júnior ou negocie equivalência de horas com a faculdade. Você ganha mais, constrói experiência real de peso no currículo desde o primeiro dia e foge de armadilhas de exploração que muitas empresas usam sob o rótulo de estágio.

  7. Defina limites. Um dos maiores problemas que percebi — não só comigo, mas com vários colegas — é a falta de limites para a jornada diária:

    1. "Só mais 30 minutinhos para resolver esse bug", "Mais uma horinha para adiantar essa demanda e amanhã ficar mais tranquilo"... Para quem pensa assim, tenho uma má notícia: as demandas nunca acabam, elas continuam lá. E os prazos nunca aumentam; pelo contrário, parecem cada vez menores.

    2. No final do expediente, novas tarefas continuarão chegando e a empresa continuará funcionando no dia seguinte. Lembre-se: se a sua saúde for prejudicada por excessos, o negócio continuará rodando e você simplesmente será substituído.

    3. Portanto, não troque tempo de lazer, autocuidado ou a convivência com sua família por horas extras infinitas. Tenha rotina e estabeleça horários claros de encerramento. No final do dia, desconecte-se: silencie notificações de canais de trabalho (Teams, Slack, e-mails) e feche o computador. Durma tranquilo. Se surgir uma emergência real, a liderança saberá como te acionar por telefone. Mas quando você se mantém disponível a qualquer hora, qualquer tarefa comum ganha status de urgência.

Por fim, cada jornada é individual, seja para quem já atua na área ou para quem está começando agora. Esqueça a fórmula pronta vendida por "gurus" da internet. Apenas dê o primeiro passo: monte um projeto para um amigo, automatize a rotina de um negócio local e aplique para as vagas sem medo de listas gigantescas de requisitos (a maior parte dos projetos não usa nem 20% do que está descrito nos anúncios). Construa uma rotina sustentável, viva com saúde, durma bem e cultive seus hobbies. Seu trabalho é parte da sua vida, não a vida inteira.

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Pedro— Olá! Eu sou o Pedro, desenvolvedor de software e curioso por natureza. Escrevo sobre tecnologia, ideias, cultura, coisas que descubro pelo c…Ver perfil →

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